Fiscalização Eleitoral
Fiscalização Eleitoral: Como Funciona, Papel dos Fiscais e Como Proteger seus Votos
A fiscalização eleitoral e um dos pilares que sustentam a legitimidade do processo democratico brasileiro. Sem mecanismos eficientes de controle, acompanhamento e denuncia, o voto do cidadão ficaria vulneravel a fraudes, manipulacoes e abusos de poder. No Brasil, o sistema de fiscalização eleitoral envolve uma rede complexa de instituicoes, agentes e procedimentos que atuam antes, durante e depois das eleições. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições municipais de 2024 foram credenciados mais de 2,3 milhoes de fiscais de partido em todo o pais, e o aplicativo Pardal recebeu mais de 78 mil denuncias de propaganda irregular durante o período eleitoral. Esses números demonstram que a fiscalização não e mera formalidade: e uma engrenagem ativa que funciona porque ha milhares de pessoas comprometidas com a transparência do processo. Este artigo explica, de forma completa e pratica, como funciona o sistema de fiscalização eleitoral brasileiro, quem sao os agentes envolvidos, como você pode participar e quais ferramentas estao disponiveis para proteger o voto e a democracia.
O que e Fiscalização Eleitoral e Por que e Fundamental para a Democracia
Fiscalização eleitoral e o conjunto de atividades de monitoramento, controle e verificação realizadas por órgãos públicos, partidos políticos e cidadãos para garantir que as eleições sejam conduzidas de forma livre, justa e transparente. Ela abrange todas as etapas do processo eleitoral: o registro de candidaturas, a propaganda política, o financiamento de campanha, a votação, a apuração e a diplomacao dos eleitos.
A importância da fiscalização eleitoral vai além da simples verificação de procedimentos. Ela atua como mecanismo de dissuasao: candidatos e partidos que sabem estar sendo observados tendem a respeitar as regras. Quando a fiscalização falha ou e insuficiente, abrem-se brechas para compra de votos, uso da maquina pública, propaganda irregular e manipulacao da apuração. A legislacao eleitoral brasileira preve uma estrutura de fiscalização em multiplas camadas justamente para reduzir esses riscos. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 14, garante o sufragio universal e o voto direto e secreto, e a fiscalização e o instrumento que assegura o cumprimento dessas garantias na pratica.
Quem Fiscaliza: Os Agentes do Sistema de Fiscalização Eleitoral
O sistema brasileiro de fiscalização eleitoral não depende de um único órgão. Ele opera como uma rede de controle com quatro eixos principais, cada um com atribuicoes distintas e complementares.
Justica Eleitoral
A Justica Eleitoral e o eixo central da fiscalização. Composta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), pelos juizes eleitorais e pelas juntas eleitorais, ela e responsável por organizar, administrar e fiscalizar todo o processo eleitoral. A Justica Eleitoral analisa os pedidos de registro de candidatura, julga impugnacoes, fiscaliza a propaganda, controla o financiamento de campanha, organiza a votação e a apuração, e diploma os eleitos. Diferentemente de outros paises, onde a organização das eleições fica a cargo de órgãos administrativos, no Brasil a Justica Eleitoral acumula funções administrativas, regulamentares e jurisdicionais, o que lhe confere autonomia e poder de enforcement.
Ministerio Público Eleitoral
O Ministerio Público Eleitoral atua como fiscal da lei e defensor do interesse público no processo eleitoral. Promotores eleitorais atuam em cada zona eleitoral, e procuradores regionais e o Procurador-Geral Eleitoral atuam nos tribunais. O MP Eleitoral pode propor acoes de impugnação de candidatura, acoes de investigação judicial eleitoral (AIJE), representacoes por propaganda irregular e acoes de impugnação de mandato eletivo. Sua atuação e independente e frequentemente decisiva na apuração de irregularidades que partidos e candidatos não conseguem ou não desejam denunciar.
Partidos Políticos
Os partidos políticos sao protagonistas da fiscalização eleitoral na ponta. Por meio de seus fiscais e delegados, acompanham a votação em cada secao eleitoral, verificam a apuração, contestam irregularidades e formulam impugnacoes. A Lei 9.504/1997 garante aos partidos o direito de credenciar fiscais e delegados para atuar em todas as etapas do processo. O interesse dos partidos na fiscalização e natural: proteger seus votos e seus candidatos contra fraudes e irregularidades cometidas por adversarios. Campanhas bem organizadas investem fortemente na estrutura de fiscalização como parte essencial da estratégia eleitoral.
Cidadaos
O eleitor comum também e agente de fiscalização. Qualquer cidadão pode denunciar irregularidades eleitorais ao Ministerio Público, a Justica Eleitoral ou por meio dos aplicativos oficiais do TSE. A participação cidada na fiscalização foi ampliada com ferramentas digitais como o aplicativo Pardal e o e-Titulo, que permitem registrar denuncias com foto, descricao e geolocalizacao diretamente pelo celular. Organizacoes da sociedade civil, como observatorios eleitorais e ONGs, também exercem função de fiscalização ao monitorar campanhas, gastos e propaganda.
Fiscais de Partido: O que Fazem e Como Credenciar
Os fiscais de partido sao os olhos e ouvidos da candidatura no dia da eleição. Sua presença nas secoes eleitorais e o principal mecanismo de controle direto que os partidos possuem sobre o processo de votação e apuração. Compreender o papel, os direitos e os limites dos fiscais e essencial para qualquer campanha que leve a serio a proteção de seus votos.
Funções do fiscal de partido
O fiscal de partido acompanha toda a votação na secao eleitoral para a qual foi designado. Suas principais atribuicoes incluem: verificar se a urna eletronica esta zerada antes do início da votação (zerigesima), observar o processo de identificação dos eleitores, acompanhar a resolução de incidentes (como falha na biometria), formular impugnacoes quando identificar irregularidades, acompanhar o encerramento da votação e a emissão do Boletim de Urna, e registrar ocorrencias que deverao ser comunicadas ao delegado de partido ou ao advogado da campanha.
Quantos fiscais por secao: Art. 65 da Lei 9.504/1997
O artigo 65 da Lei 9.504/1997 estabelece que cada partido ou coligação pode credenciar até dois fiscais por secao eleitoral: um titular e um suplente. O suplente só assume na ausência do titular. Além dos fiscais de secao, os partidos podem indicar delegados que atuam de forma itinerante em varias secoes da mesma zona eleitoral. Não ha limite para o número total de fiscais que um partido pode credenciar no ambito de toda a eleição, mas o limite de dois por secao e rigoroso e não comporta excecoes.
| Agente | Limite por Secao | Atuação | Base Legal |
|---|---|---|---|
| Fiscal titular | 1 por partido/coligação | Fixa na secao designada | Art. 65, Lei 9.504/97 |
| Fiscal suplente | 1 por partido/coligação | Substitui o titular na ausência | Art. 65, Lei 9.504/97 |
| Delegado de partido | Sem limite por secao | Itinerante na zona eleitoral | Art. 65, §1o, Lei 9.504/97 |
Como credenciar fiscais de partido
O credenciamento de fiscais deve ser realizado pelo diretorio do partido ou pela coligação junto ao cartorio da zona eleitoral. O procedimento segue estas etapas: primeiro, o partido elabora a lista de fiscais com nome completo, número do titulo de eleitor e a secao para a qual cada fiscal esta sendo designado; em seguida, apresenta o requerimento ao juiz eleitoral dentro do prazo estabelecido pelo calendário do TSE; após o deferimento, a credencial e emitida e deve ser portada pelo fiscal no dia da eleição. E fundamental iniciar o processo de credenciamento com antecedencia, pois erros na documentacao podem inviabilizar a participação do fiscal. Campanhas organizadas mantêm uma planilha de controle com todos os fiscais, suas secoes e o status do credenciamento.
Delegados de Partido: Função e Diferenca dos Fiscais
Enquanto o fiscal de partido tem atuação fixa em uma secao eleitoral específica, o delegado de partido atua de forma itinerante, circulando entre diversas secoes da mesma zona eleitoral. O delegado tem autoridade para representar o partido perante o juiz eleitoral, formular protestos e impugnacoes, e tomar providencias urgentes que extrapolam a competência do fiscal de secao.
Na pratica, o delegado funciona como um supervisor de campo da operação de fiscalização. Ele percorre as secoes, verifica se os fiscais estao presentes e atuantes, coleta relatos de irregularidades e toma as medidas jurídicas cabiveis. Em municípios com dezenas ou centenas de secoes eleitorais, a figura do delegado e indispensavel para garantir que a fiscalização tenha cobertura territorial efetiva. A relação entre delegado e fiscal funciona como a relação entre um coordenador regional e os operadores de campo em uma campanha eleitoral bem organizada: o delegado orienta, supervisiona e escala problemas, enquanto o fiscal executa a vigilancia continua no ponto.
Fiscalização da Votação: Dia da Eleição e Procedimentos na Secao Eleitoral
O dia da eleição e o momento mais critico da fiscalização eleitoral. Todos os procedimentos realizados na secao eleitoral sao passiveis de acompanhamento pelos fiscais de partido, e qualquer irregularidade pode ser registrada em ata. A sequencia de procedimentos fiscalizaveis inclui diversas etapas que os fiscais devem conhecer em detalhes.
Antes da abertura da votação
Os fiscais devem chegar a secao eleitoral com antecedencia, preferêncialmente 30 minutos antes do horário de abertura. O primeiro procedimento a ser observado e a emissão da zerigesima, que e o documento impresso pela urna eletronica comprovando que não ha votos registrados no equipamento. A zerigesima deve ser emitida na presença dos fiscais e mesarios, e qualquer fiscal pode solicitar uma copia. Este e um dos momentos mais importantes da fiscalização: se a urna apresentar votos antes do início da votação, trata-se de irregularidade gravissima que deve ser registrada imediatamente.
Durante a votação
Ao longo do dia, os fiscais acompanham o processo de identificação dos eleitores, observando se os mesarios verificam corretamente o titulo de eleitor e o documento com foto. Quando o eleitor não e identificado pela biometria, o fiscal deve observar se o procedimento de identificação alternativa esta sendo seguido conforme a norma. Irregularidades como eleitores votando em secao errada, coacao dentro do local de votação ou presença de material de propaganda dentro da zona de sigilo devem ser registradas na ata da secao. Os fiscais não podem, sob nenhuma hipotese, abordar eleitores, fazer propaganda, utilizar celular para fotos ou videos dentro da secao, ou interferir no trabalho dos mesarios.
Encerramento e Boletim de Urna
Apos o encerramento da votação, a urna eletronica emite o Boletim de Urna (BU), um documento impresso que contem a totalidade dos votos registrados naquela secao. O BU e um dos documentos mais importantes para a fiscalização da apuração, pois permite a conferencia posterior entre os votos registrados na secao e os dados que chegam ao sistema de totalizacao. Os fiscais tem direito a solicitar uma via do Boletim de Urna. Campanhas que levam a fiscalização a serio coletam os BUs de todas as secoes onde atuam e cruzam esses dados com os resultados publicados pelo TSE.
Fiscalização da Apuração: Acompanhamento da Totalizacao e Boletins de Urna
A apuração no sistema eletronico brasileiro e praticamente instantanea: quando a votação se encerra e a urna emite o Boletim de Urna, os dados estao prontos para a totalizacao. A fiscalização da apuração concentra-se, portanto, em dois pontos: a integridade do Boletim de Urna emitido na secao e a correspondencia entre os dados do BU e os resultados totalizados pelo TRE.
Os partidos podem designar representantes para acompanhar o processo de totalizacao nos Tribunais Regionais Eleitorais. Além disso, o TSE disponibiliza os Boletins de Urna de todas as secoes do pais em seu portal na internet, permitindo que qualquer cidadão, partido ou organização faca a conferencia independente dos resultados. A chamada apuração paralela, feita por partidos que coletam BUs e somam os votos por conta propria, e uma prática de fiscalização consolidada e perfeitamente legal. Essa transparência no acesso aos dados e uma das caracteristicas mais robustas do sistema eleitoral brasileiro.
Etapas da fiscalização no dia da eleição
1
Zerigesima (antes da abertura)
2
Acompanhamento da votação
3
Boletim de Urna (encerramento)
4
Conferencia da totalizacao
Fiscalização da Propaganda: Como Denunciar Propaganda Irregular
A propaganda eleitoral e uma das areas com maior incidencia de irregularidades. Propaganda antecipada, uso de recursos públicos para promocao pessoal, propaganda em locais proibidos, conteúdo caluniante e uso irregular de redes sociais estao entre as infracoes mais comuns. A fiscalização da propaganda e exercida pela Justica Eleitoral, pelo Ministerio Público e pelos proprios partidos e candidatos, que podem representar contra adversarios que descumprem as regras da campanha eleitoral.
Aplicativo Pardal
O Pardal e o aplicativo oficial do TSE para denuncias de propaganda eleitoral irregular. Disponível gratuitamente para Android e iOS, ele permite que qualquer cidadão registre uma denuncia com descricao do fato, fotografia e localizacao automática por GPS. As denuncias sao encaminhadas ao juiz eleitoral e ao Ministerio Público da zona correspondente. Nas eleições de 2024, o Pardal foi o canal responsável por mais de 40% das representacoes por propaganda irregular em primeira instancia. O aplicativo e intuitivo e não exige identificação do denunciante para o registro inicial.
Aplicativo e-Titulo
O e-Titulo, além de funcionar como documento digital de identificação do eleitor, também oferece funcionalidade de denuncia eleitoral. Pelo aplicativo, o eleitor pode reportar situacoes como boca de urna, compra de votos e outras irregularidades observadas no dia da eleição. A vantagem do e-Titulo e que ele já esta vinculado aos dados do eleitor, fácilitando o encaminhamento da denuncia a zona eleitoral correta.
Representacao judicial por propaganda irregular
Além dos aplicativos, partidos e candidatos podem ingressar com representação judicial por propaganda irregular perante o juiz eleitoral. Esse e o caminho formal para solicitar a remoção de propaganda ilegal, a aplicação de multa ao infrator e, em casos graves, a cassação do registro de candidatura. O advogado eleitoral da campanha e a peca-chave nesse processo, pois a representação exige fundamentacao jurídica, indicação precisa da irregularidade e provas documentais. Campanhas que monitoram ativamente a propaganda de adversarios e documentam infracoes com rigor jurídico conseguem acoes mais rapidas e eficazes da Justica Eleitoral.
Fiscalização das Contas: Acompanhamento da Prestação de Contas ao TSE
A fiscalização financeira das campanhas eleitorais e uma das areas mais técnicas e, ao mesmo tempo, mais relevantes do processo de controle. Todos os candidatos sao obrigados a prestar contas dos recursos recebidos e dos gastos realizados durante a campanha. A prestação de contas e analisada pela Justica Eleitoral com o auxilio de unidades técnicas especializadas.
O sistema de prestação de contas funciona em duas etapas: a prestação parcial, realizada durante a campanha, e a prestação final, apresentada após a eleição. O TSE disponibiliza o sistema DivulgaCandContas, que permite a qualquer cidadão consultar as receitas e despesas declaradas por cada candidato. Essa transparência possibilita que partidos adversarios, a imprensa e a sociedade civil identifiquem irregularidades como doações de fontes vedadas, gastos acima do limite, ou movimentacoes incompativeis com a estrutura declarada da campanha.
A rejeicao das contas de campanha pode resultar na impossibilidade de o candidato obter a certidao de quitacao eleitoral, documento indispensavel para disputar eleicoes futuras. Em casos de irregularidades graves, como caixa dois ou uso de recursos de origem ilicita, a consequência pode ser a cassação do mandato. Para candidatos que desejam se candidatar nas eleicoes de 2026, manter a prestação de contas de campanhas anteriores em situação regular e prerequisito indispensavel.
Como Denunciar Irregularidades: Canais do TSE e MP Eleitoral
A eficacia da fiscalização eleitoral depende da participação ativa de todos os envolvidos no processo. Denunciar irregularidades não e apenas um direito: e um dever civico que fortalece a democracia. Os canais disponiveis para denuncia sao diversos e acessiveis.
- Aplicativo Pardal: Denuncia de propaganda irregular com foto e geolocalizacao. Disponível para Android e iOS. Não exige identificação inicial do denunciante.
- Aplicativo e-Titulo: Funcionalidade de denuncia integrada ao documento digital do eleitor. Permite reportar boca de urna, compra de votos e outras irregularidades.
- Disque-Eleição (148): Central telefonica do TSE para denuncias, informações e orientações sobre o processo eleitoral. Funciona em horário estendido durante o período eleitoral.
- Ministerio Público Eleitoral: Denuncias podem ser feitas diretamente ao promotor eleitoral da zona, presencialmente ou por meio dos canais digitais do MP do respectivo estado.
- Cartorio eleitoral: O eleitor pode comparecer ao cartorio da zona eleitoral para registrar denuncias formais de irregularidades.
- Ouvidoria do TSE: Canal institucional para reclamacoes, sugestoes e denuncias relacionadas ao funcionamento da Justica Eleitoral.
Para que a denuncia seja eficaz, e importante reunir o máximo de evidencias possiveis: fotografias, videos, prints de redes sociais, datas, horários e localizacao. Denuncias vagas e sem provas difícilmente resultam em providencias concretas. O advogado eleitoral da campanha pode orientar sobre a melhor forma de documentar e formalizar cada tipo de irregularidade.
Segurança da Urna Eletronica: Testes Públicos de Segurança e Auditoria
A urna eletronica brasileira, utilizada desde 1996, e um dos elementos mais debatidos do sistema eleitoral. A fiscalização da segurança da urna envolve procedimentos técnicos rigorosos que garantem a integridade do equipamento e dos dados nele registrados.
Testes Públicos de Segurança (TPS)
Os Testes Públicos de Segurança sao eventos organizados pelo TSE nos quais especialistas em tecnologia da informação, incluindo pesquisadores independentes, tentam identificar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais. Os participantes tem acesso ao código-fonte, ao hardware e aos procedimentos de segurança, e devem tentar quebrar as barreiras de proteção em ambiente controlado. Os resultados dos TPS sao publicados, e as vulnerabilidades eventualmente encontradas sao corrigidas antes da eleição seguinte. Os TPS representam uma prática de segurança avancada que poucas democracias no mundo adotam com esse nível de abertura.
Cerimonia de lacramento e assinatura digital
Antes das eleições, o TSE realiza a cerimonia de lacramento dos sistemas eleitorais, na qual os softwares que serao instalados nas urnas recebem assinaturas digitais e sao lacrados com a presença de representantes de partidos, do Ministerio Público, da OAB e de entidades da sociedade civil. Esse procedimento garante que o software instalado na urna e exatamente aquele que foi auditado e aprovado. Qualquer alteração posterior seria detectada pela verificação de integridade que cada urna realiza automáticamente antes do início da votação.
Auditoria de funcionamento no dia da eleição
No dia da eleição, além da zerigesima e do Boletim de Urna, o TSE realiza a auditoria de funcionamento, na qual urnas sao sorteadas aleatoriamente para verificação independente. O procedimento consiste em realizar uma votação simulada nas urnas sorteadas e conferir se os votos registrados correspondem exatamente aos votos digitados. Essa auditoria e acompanhada por representantes de partidos e pelo Ministerio Público, e seus resultados sao publicados após a eleição.
| Mecanismo de Segurança | Quando Ocorre | Quem Participa |
|---|---|---|
| Testes Públicos de Segurança (TPS) | Ano anterior a eleição | Especialistas em TI, pesquisadores independentes |
| Cerimonia de lacramento e assinatura digital | Semanas antes da eleição | Partidos, MP, OAB, sociedade civil |
| Zerigesima | Antes da abertura de cada secao | Mesarios, fiscais de partido |
| Boletim de Urna | Apos encerramento da votação | Mesarios, fiscais, qualquer cidadão |
| Auditoria de funcionamento | Dia da eleição (urnas sorteadas) | TSE, partidos, MP |
Como a Tecnologia Apoia a Fiscalização Eleitoral nas Campanhas
A operação de fiscalização eleitoral e, na essencia, uma operação logística e de coordenação de pessoas. Credenciar centenas de fiscais, designa-los para secoes específicas, garantir sua presença no dia da eleição, coletar Boletins de Urna e cruzar dados exige planejamento rigoroso e ferramentas de gestão. Campanhas que gerenciam a fiscalização com planilhas dispersas e grupos de WhatsApp correm o risco de deixar secoes descobertas, perder prazos de credenciamento e não reagir a tempo a irregularidades.
Plataformas de gestão de campanha como o Politicore permitem centralizar a operação de fiscalização: cadastro de fiscais com suas secoes, controle de credenciamento, comunicação em tempo real com delegados e fiscais em campo, e registro de ocorrencias com geolocalizacao. Com uma visao integrada da operação de fiscalização, o coordenador de campanha consegue identificar secoes descobertas, realocar fiscais suplentes e acionar o advogado eleitoral imediatamente quando uma irregularidade e detectada. A tecnologia não substitui a presença humana nas secoes eleitorais, mas multiplica a capacidade de coordenação e resposta que faz a diferenca entre uma fiscalização simbolica e uma fiscalização efetiva.
Conclusao: Fiscalizar e Proteger a Democracia
A fiscalização eleitoral não e uma atividade burocratica reservada a especialistas. E um exercício de cidadania que envolve instituicoes, partidos e cada eleitor individualmente. Compreender como o sistema funciona, conhecer os direitos e deveres dos fiscais, saber utilizar os canais de denuncia e entender os mecanismos de segurança da urna eletronica sao passos fundamentais para qualquer pessoa comprometida com a transparência do processo democratico. Para candidatos e suas equipes de campanha, investir na estrutura de fiscalização e tao estrategico quanto investir em comunicação ou mobilização territorial. Cada voto protegido pela fiscalização e um voto que conta. Aprofunde-se nas regras da campanha eleitoral 2026, conheça o guia completo da legislacao eleitoral brasileira e prepare sua candidatura para as eleicoes de 2026 com a seriedade que o processo democratico exige.
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Falar pelo WhatsAppPerguntas Frequentes sobre Fiscalização Eleitoral
Quantos fiscais um partido pode ter por secao eleitoral?
Conforme o art. 65 da Lei 9.504/1997, cada partido político ou coligação pode credenciar até dois fiscais por secao eleitoral: um titular e um suplente. O suplente só pode atuar na ausência do titular. Além dos fiscais de secao, os partidos podem indicar delegados perante o juiz eleitoral, que atuam de forma itinerante em diversas secoes da mesma zona eleitoral. Não ha limite para o número total de fiscais credenciados por partido, mas apenas dois podem estar presentes simultaneamente em cada secao.
Como credenciar fiscais de partido para o dia da eleição?
O credenciamento de fiscais de partido deve ser solicitado pelo diretorio partidario ou pela coligação junto ao cartorio da zona eleitoral correspondente. O prazo para credenciamento e definido pelo calendário do TSE e geralmente se encerra alguns dias antes da eleição. O partido deve apresentar a lista de fiscais com nome completo, número do titulo de eleitor e a secao onde cada fiscal atuara. Após o deferimento, o fiscal recebe uma credencial que deve ser apresentada ao presidente da mesa receptora no dia da votação.
O que o fiscal de partido pode e não pode fazer na secao eleitoral?
O fiscal de partido pode acompanhar toda a votação, verificar a identidade dos eleitores (sem aborda-los diretamente), observar o funcionamento da urna eletronica, formular impugnacoes e registrar ocorrencias em ata. Não pode, entretanto, fazer propaganda dentro da secao, abordar eleitores, manusear a urna, utilizar celular para fotografar ou filmar o processo de votação, nem interferir no trabalho dos mesarios. Qualquer irregularidade deve ser comunicada ao presidente da mesa, que registrara em ata para posterior análise pela Justica Eleitoral.
Como denunciar irregularidades eleitorais no dia da votação?
Existem varios canais para denunciar irregularidades eleitorais. O aplicativo Pardal, disponível para Android e iOS, permite que qualquer cidadão registre denuncias de propaganda irregular e outras infracoes eleitorais com foto e geolocalizacao. O app e-Titulo também possui funcionalidade de denuncia. Além disso, o eleitor pode ligar para o Disque-Eleição (148), procurar o Ministerio Público Eleitoral ou comparecer ao cartorio eleitoral. No dia da votação, irregularidades dentro da secao devem ser comunicadas ao presidente da mesa receptora.
A urna eletronica brasileira e segura? Como e feita a auditoria?
A urna eletronica brasileira passa por diversas camadas de auditoria. O TSE realiza os Testes Públicos de Segurança (TPS), nos quais especialistas em tecnologia tentam encontrar vulnerabilidades no sistema. Antes da votação, e feita a cerimonia de lacramento e assinatura digital dos sistemas. No dia da eleição, antes de abrir a secao, e emitida a zerigesima, comprovando que a urna não tem votos registrados. Após o encerramento, o Boletim de Urna e impresso e pode ser conferido por fiscais e qualquer cidadão. A totalizacao e feita com criptografia e assinatura digital, garantindo a integridade dos dados transmitidos ao TSE.
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